domingo, 29 de agosto de 2010

SEMI-HIDROPONIA NA PRODUÇÃO DE MORANGOS

 

 

Apresentação

 

A Embrapa Uva e Vinho, em cumprimento de sua missão institucional e em consonância com as ações de transferência tecnológica da Empresa, vem disponibilizando, desde 2003, informações sistematizadas e atualizadas sobre produtos e processos relativos à cadeia produtiva da uva, do vinho e das frutas de clima temperado. Estas informações, denominadas de Sistemas de Produção, têm por objetivo facilitar o acesso do usuário às orientações técnicas que a Embrapa produz, organiza, valida e oferece para que produtores, técnicos, industriais e comerciantes obtenham a máxima qualidade e rentabilidade de sua atividade produtiva.

Reconhecidamente uma das espécies de maior sensibilidade a pragas e doenças, o morango é altamente exigente em práticas culturais desde o plantio até a pós-colheita. Esta sensibilidade faz com que produtores apliquem agroquímicos de forma muito intensa, frequentemente sem os necessários critérios técnicos. Estas atitudes, embora possam permitir obter frutas de boa aparência, podem limitar o mercado pela presença de resíduos, além dos danos ao ambiente e a saúde do produtor e do consumidor. Desta forma, surgem opções de sistemas alternativos de produção, como é o caso do sistema semi-hidropônico e a produção orgânica. É, portanto, uma alternativa importante de diversificação na propriedade, para a qual devem-se seguir estritamente as orientações técnicas com o intuito de obter-se um produto de qualidade e em acordo com a legislação vigente, bem como atendendo aos requisitos de um mercado sempre mais exigente.

A definição do estado da arte do Sistema de Produção de Morangos Semi-Hidropônicos é resultante de uma parceria muito efetiva entre pesquisadores, técnicos e produtores. Por esta razão, manifestamos nossos agradecimentos ao Sr. José Pasa, pelo fornecimento das mudas para a execução dos experimentos e aos Srs. Arlindo Calgaro, Mário Calvino Palombini e Gelso Colombo, pelo apoio na elaboração e execução das pesquisas para aprimoramento do presente sistema de produção.

Estamos certos de que, ao serem apresentadas estas orientações técnicas, produtores experientes podem aprimorar seu sistema de produção. Por outro lado, novos produtores poderão ingressar na atividade com um suporte técnico que possibilitará avançar com maior rapidez na busca de um produto de alto padrão de qualidade.

 

 

 

 

 

Introdução

 

O morangueiro é uma planta herbácea estolonífera, perene, com caule semi-subterrâneo, conhecido como coroa (caule modificado). A coroa apresenta um tecido condutor periférico em espiral nos dois sentidos unido às folhas. A medula é proeminente e muito suscetível às geadas. Na medida que a coroa envelhece pode originar de 8 a 10 novas coroas laterais.

As folhas se originam da coroa de forma helicoidal com forma e cor variando conforme a cultivar. Em geral, são trifoliadas com um par de estípulas triangulares na base, às vezes, apresentam um par de pequenos folíolos abaixo dos normais. Os folíolos são dentados, de cor verde escuro na face superior e acinzentada e pilosa na face inferior. As folhas têm 300 a 400 estômatos/mm², um número bem maior que os de outras culturas, como por exemplo, da macieira, que possui 246 estômatos/mm². Esta característica faz com que a cultura seja muito sensível à falta de água, baixa umidade relativa, alta temperatura e intensidade e duração da luz.

O morangueiro possui estolões ou caules que se desenvolvem a partir das gemas basais das folhas, crescem sobre a superfície do solo e têm a capacidade de emitir raízes e dar origem a novas plantas.

O pedúnculo floral é ereto, curvando-se após a polinização.

As flores são hermafroditas e hemicíclicas. O cálice é formado por brácteas unidas na base. As pétalas são livres, lobuladas, brancas ou avermelhadas, dispostas ao redor do receptáculo proeminente o qual, após a fecundação dos pistilos, se transforma no "morango". Desta forma, os "morangos" são frutos falsos, sobre os quais se encontram os aquênios, que são os frutos verdadeiros. Os estames, em número superior a 20 são numerosos e estão localizados ao redor do receptáculo. Os estames possuem filamentos longos ou curtos, que podem apresentar anteras férteis ou estéreis. Os pistilos são numerosos (entre 200 e 400), têm ovário com um só óvulo e dispostos em forma de espiral.

As raízes originam-se das coroas na forma de um sistema fasciculado, crescem principalmente nas épocas de dias curtos (<12 horas de luz), no outono e no início do inverno, sendo, neste caso, necessário utilizar cobertura plástica para elevar a temperatura do solo, condição que favorece o crescimento radicular.

A cultura responde de forma diferente às combinações de temperatura e de comprimento do dia. Assim, a formação de estolões e o desenvolvimento de folhas são favorecidos sob condições de dias longos e temperatura elevada. A indução floral ocorre com temperatura baixa e dias curtos e a frutificação, em dias longos e temperaturas amenas.

O morangueiro é cultivado, no Brasil, em várias formas: no solo, com ou sem cobertura plástica, em túneis baixos ou em estufas, ou no sistema hidropônico, com ou sem substrato. O sistema hidropônico conduzido em substrato é conhecido no país como semi-hidropônico.

A cultura é desenvolvida, em grande parte, por agricultores familiares que possuem áreas de cultivo pequenas. Visto que, para estabelecer culturas sucessivas é recomendado fazer rotação de culturas, para evitar o aumento da incidência de podridões de raízes e do colo por fungos, e pela crescente conscientização do produtor em relação ao risco do uso de agrotóxicos, os produtores de morango têm procurado novas maneiras para dar continuidade às suas atividades.

Uma alternativa para contornar esse problema é produzir morangos em ambiente protegido onde é limitado o ataque de pragas e doenças da parte aérea. Neste caso, o morango é produzido em substrato artificial sem contaminação por fungos fitopatogênicos e com fertirrigação (sistema semi-hidropônico). Esta alternativa é de grande importância para os produtores, pois assegura a rentabilidade da atividade reduzindo a demanda de agrotóxicos na cultura. O cultivo protegido também evita a ocorrência de chuvas, geadas e, em locais com invernos mais rigorosos, da neve, sobre as plantas.

 

 

 

 

    Custos de produção

     

    Os custos de produção apresentados na Tabela 1 são referentes a uma estufa de 315 m², construída na Estação Experimental de Fruticultura Temperada da Embrapa Uva e Vinho em Vacaria, RS. Esta estufa é destinada à pesquisa, portanto uma parte da mesma está sendo utilizada em prateleira, no sistema semi-hidropônico, e a outra parte com um experimento no solo, totalizando 1.200 mudas. Se for toda utilizada no sistema semi-hidropônico, com 2.400 mudas, terá uma produção de 1.920 kg. Considerando-se que cada planta produz, no mínimo, 0,8 kg por ciclo, o produtor terá uma receita, por ciclo, de R$ 15.360,00 por estufa.

    Tabela 1. Custos de construção de uma estufa com 315 m² utilizando-se o Sistema de Produção Semi-hidropônico.

    Quantidade

    Descrição

    Custos (R$)

    Irrigação

     

     

    1

    Filtro de disco SIPLAST 1" (com frete)

    90,00

    240

    Distribuidor 4 saídas 4 L/h

    96,00

    240

    Gotejadores de 4 L/h (un.)

    144,00

    130

    Tubos Polietileno 16 mm interno (1/2 pol.)

    93,60

    200

    Microtubo PVC flexível 3*5 (m)

    138,00

    950

    Estacas para vaso (ponteiras)

    190,00

    1

    Bomba ½ CV

    200,00

    2

    Reservatórios 500 L

    142,00

    1

    Filme tubular 0,31*400 m (rolo)

    242,00

     

    Gastos com peças para irrigação hidráulica

    500,00

    Subtotal

     

    1.835,60

    Estufas

     

     

    65

    Filme plástico UV 3 m, 100 Mc

    208,00

    100

    Filme plástico UV 4 m

    350,00

    55

    Filme plástico UV 2,20 m

    140,00

    110

    Corda poliéster (m)

    66,00

    15

    Pregos 17 x 27 (kg)

    15,00

    7

    Pregos 18 x 30 (kg)

    10,00

    65

    Tela nylon verde

    117,00

    Subtotal

     

    906,00

    Madeira

     

     

    27

    Palanques de eucalipto

    500,00

     

    Tábuas

    1.330,00

     

    Guias

    500,00

    Subtotal

     

    2.330,00

    Mudas

     

     

    1.200

    Mudas de morangueiro cv. Aromas

    240,00

    Subtotal

     

    240,00

    TOTAL

     

    5.311,60

    Frutos produzidos no cultivo semi-hidropônico

    Foto: Adriane Regina Bortolozzo.

    Foto: Adriane Regina Bortolozzo.

    Foto: Adriane Regina Bortolozzo.

  •  
    1. elevada capacidade de retenção de água, tornando-a facilmente disponível;
    2. distribuição das partículas de tal modo que, ao mesmo tempo que retenham água, mantenham a aeração para que as raízes não sejam submetidas a baixos níveis de oxigênio, o que compromete o desenvolvimento da cultura;
    3. decomposição lenta;
    4. que seja disponível para a compra;
    5. de baixo custo.
    1. casca de arroz carbonizada;
    2. mistura com diferentes porcentagens de casca de arroz carbonizada + casca de pinus;
    3. mistura, em diferentes porcentagens, de casca de arroz carbonizada + turfa + vermiculita, entre outros.
    • o produtor não precisa fazer rotação das áreas de produção, prática necessária para reduzir a podridão de raízes no sistema de túneis baixos. Dessa forma, chega a triplicar o potencial de uso da área de terra;
    • em prateleiras, com diferentes níveis, otimiza a área de produção;
    • o manejo da cultura pode ser realizado em pé, o que favorece a contratação de mão-de-obra;
    • cada novo ciclo de produção é estabelecido com a troca do saco plástico e do substrato a cada dois anos, o que auxilia na redução da incidência e do alastramento de podridões na cultura; se essas ocorrerem, elimina-se somente o saco infectado e não toda a área de produção;
    • o sistema protege as plantas do efeito da chuva e facilita a ventilação, condições que impedem o estabelecimento de doenças;
    • como há menor pressão de doenças, o uso de pesticidas pode ser substituído por práticas culturais, uso de agentes de controle biológico e produtos alternativos, reduzindo drasticamente o risco de contaminação dos frutos, sem afetar a rentabilidade da produção;
    • permite a produção de frutas com maior qualidade e menor perda por podridão;
    • o período da colheita pode ser estendido em, pelo menos, dois meses;
    • o sistema facilita a adoção de princípios de segurança dos alimentos, possibilitando a maior aceitação dos morangos pelo consumidor.
    •  
      1. com mangueira gotejadora que atravessa as sacolas que acondicionam o substrato, com espaçamento entre os gotejadores de 0,10 m;
      2. com mangueiras e gotejadores instalados a cada 0,10 m;
      3. com microgotejadores colocados, individualmente, para cada planta.
      1. aqueles que atacam as raízes, mas sem apresentar sintomas tão evidentes, como no primeiro caso, podendo induzir a diagnósticos equivocados de deficiências minerais no solo (Pratylenchus vulnus, ou "nematóide das lesões das raízes");
      2. aqueles que atacam as folhas novas, tornando-as reduzidas e malformadas (Aphelenchoides besseyi, agente do "enfezamento do morangueiro").
      1. Ácaro rajado - A fêmea adulta tem forma ovalada, com o dorso revestido de pequenos espinhos. A cor varia do amarelo pálido ao esverdeado até o avermelhado nas formas hibernantes. Apresentam manchas escuras no dorso e um par de ocelos vermelhos na região dorso-lateral. Os ovos são esféricos sendo depositados na face inferior dos folíolos. O ciclo de ovo adulto pode se completar em sete dias. O aumento populacional é favorecido com clima quente e seco. A espécie está presente em quase todos os países, alimentando-se de grande diversidade de plantas. Atacam as folhas do morangueiro na face inferior onde tecem teia, ocasionando manchas branco-prateadas. Na face superior, áreas de início cloróticas, tornam-se bronzeadas. Quando o ataque é intenso, as folhas secam e caem, podendo causar a morte da planta;
      2. Ácaros vermelhos - Apresentam cor vermelha intensa, sendo freqüentemente confundidos, pela semelhança biológica e comportamento, com o ácaro rajado. Caracterizam-se por tecer abundante teia que cobre as populações e às vezes as plantas atacadas. Também ocupam a face inferior dos folíolos;
      3. Ácaro do enfezamento do morangueiro - São ácaros de pequeno porte, com cerca de 0,3 mm de comprimento. As fêmeas são escuras e os machos são de cor amarela. Abrigam-se entre as folhas enroladas da planta. Quando o morangueiro está em brotação, atacam as folhas novas. Quando ocorrem em baixa infestação, observa-se apenas um ondulado na face superior das folhas e um pequeno aglomerado destas. Ataques mais severos ocasionam nanismo na parte central da planta. As folhas novas não abrem, ficando com pecíolos mais curtos, perdem a cor, amarelecem, ficam quebradiças, seguidas de bronzeamento e morte. Em ataques intensos, podem causar perda total da lavoura.
      1. Plantar feijão, em potes ou sacos plásticos, em alta densidade;
      2. Cerca de 14 dias após o plantio infestar as plantas com ácaro rajado;
      3. Quando observar que todas as folhas já estão atacadas pelo ácaro rajado, liberar o ácaro predador;
      4. Caso não tenha uma colônia do predador, trazer folhas do campo com alta população do rajado. Geralmente há uma associação de ácaros predadores onde existe oferta de alimento. O ideal é manter uma colônia isolada de predadores;
      5. Após a infestação com material do campo, analisar periodicamente as folhas do feijoeiro e quando tiver mais predadores do que o ácaro rajado é o momento de levar as folhas para a lavoura.
      1. Produção de mudas em áreas isentas de ácaros fitófagos;
      2. Plantar mudas sadias, livres de ácaros fitófagos e isentas de doenças;
      3. Descartar e eliminar as mudas com problemas fitossanitários;
      4. Realizar poda fitossanitária das folhas e constatada a presença de ovos ou formas móveis de ácaros realizar uma desinfestação das mudas por imersão no pré-plantio com um dos acaricidas permitidos (Quadro 2);
      5. Plantar as mudas em áreas não-contaminadas por ácaros fitófagos ou outros problemas fitossanitários;
      6. Efetuar adubações orgânicas e minerais equilibradas, com antecedência, de acordo com as análises de solo e foliar;
      7. Em áreas endêmicas e com microclimas favoráveis, antecipar o plantio utilizando cultivares precoces e resistentes às doenças foliares para maximizar a produção antes dos picos ascendentes do ácaro rajado;
      8. Monitorar as populações de ácaros fitófagos;
      9. Manter criações de ácaros fitoseídeos, em ambientes controlados, para a liberação desses predadores em lavouras e viveiros infestados de ácaros nocivos;
      10. Liberar ácaros fitoseídeos nos ecossistemas infestados pelos ácaros nocivos para manter esses organismos em níveis de equilíbrio;
      11. Promover associações de vegetais cultivados e nativos com morangueiros para possibilitar a implantação de fitoseídeos e outros inimigos naturais nesta cultura.
      • Rachadura dos frutos: ocorre durante períodos frios ou com temperatura muito alta.
      • Escaldadura da fruta: são manchas aquosas e moles que ocorrem com geadas ou com golpe de sol.
      • Queimadura das folhas: ocorre com temperatura alta, quando as folhas entram em contato com o plástico.
      • Deformação da fruta: é causada pela falta de fecundação, que pode ser motivada pela falta de insetos polinizadores ou pela prevalência de temperaturas baixas.
      • Utilização de mudas infestadas;
      • Ausência ou baixo nível populacional de inimigos naturais;
      • Adubação nitrogenada em excesso;
      • Uso de inseticidas/acaricidas e fungicidas (principalmente ditiocarbamatos) não seletivos aos inimigos naturais.
    • Manejo da nutrição

       

      Solução nutritiva

       

      As soluções nutritivas podem ser adquiridas prontas ou podem ser formuladas por técnicos.

      Para o cultivo semi-hidropônico tem sido utilizada, nos experimentos conduzidos na Embrapa Uva e Vinho - EEFT, em Vacaria, a formulação apresentada nos Quadros 1a e 1b.

      Prepara-se a solução concentrada, em recipientes separados, com os elementos citados no Quadro 1a (soluções A, B e C). Para cada 10L de água são adicionados os valores respectivos, citados no Quadro 1a, de cada elemento.

      A irrigação é feita de acordo com a fase da cultura. Assim, na fase vegetativa (Quadro 1b), para cada 1.000 L de água deve-se misturar 3 L das soluções concentradas A e B.

      Na fase da frutificação (Quadro 1b), para cada 1.000 L de água deve-se adicionar 3 L das soluções A e C.

      Foto: Adriane Regina Bortolozzo

      Figura 1a. Detalhe da ligação entre os reservatórios de água e a motobomba.

      Foto: Adriane Regina Bortolozzo

      Figura 1b. Detalhe da motobomba ligada ao reservatório.

      Quadro 1a. Formulação da solução nutritiva utilizada no cultivo semi-hidropônico.

      Sais ou fertilizantes

      Solução concentrada (g / 10 L)

       

       

       

      A

      B

      C

      Nitrato de cálcio

      1600

      0

      0

      Nitrato de potássio

      0

      1000

      1000

      Fosfato monoamônio

      0

      300

      0

      Fosfato monopotássio

      0

      360

      720

      Sulfato de magnésio

      0

      1200

      1200

      Ácido bórico

      6.0

      0

      0

      Sulfato de cobre

      0.6

      0

      0

      Sulfato de manganês

      4.0

      0

      0

      Sulfato de zinco

      2.0

      0

      0

      Molibdato de sódio

      0.6

      0

      0

      Tenso ferro

      120

      0

      0

      Quadro 1b. Formulação da solução nutritiva utilizada no cultivo semi-hidropônico.

       

      Solução concentrada (L / 1000 L)

       

       

       

      A

      B

      C

      Vegetativa (do transplante das mudas até o início da frutificação)

      3,0

      3,0

      0

      Frutificação (do início da frutificação em diante)

      3,0

      0

      3,0

      A condutividade elétrica (CE) dessas soluções iniciais (fase vegetativa e frutificação) deve ficar ao redor de 1,4-1,5 mS/cm.

      As reposições de nutrientes são realizadas através das adições de volumes iguais das soluções concentradas A e B ou C, de acordo com a diminuição no valor da condutividade elétrica da solução nutritiva de irrigação. Para cada 0,3 mS/cm de diminuição na CE acrescentar 20% dos volumes usados para o preparo inicial da solução nutritiva.

       

       

      Manejo da irrigação

       

      Irrigação

       

      No cultivo protegido do morangueiro semi-hidropônico, em substrato artificial, utiliza-se a irrigação por gotejamento. A irrigação localizada tem como vantagens: alta eficiência de aplicação, economia de água, energia e mão-de-obra, permite automatização, fertirrigação e não interfere nos tratos fitossanitários. Este sistema aplica água diretamente na região das raízes.

      A qualidade da água é um fator importante na irrigação; água de má qualidade poderá causar toxicidade nas plantas, e, se for suja, entupirá o sistema de irrigação, que é bastante sensível a partículas minerais e orgânicas.

      A irrigação pode ser feita de três maneiras:

      Neste último sistema acopla-se à mangueira de ½", botões gotejadores, distribuidores, microtubos e estacas (Fig. 1), cravadas próximas ao pé da planta, uma vez que são as responsáveis pelo gotejamento.

      O tempo de irrigação, no sistema semi-hidropônico, normalmente é em torno de 2 a 5 minutos, sendo ministrado até 1 L de água por saco, por irrigação, dependendo da época do ano e da condição climática.

      Foto: Adriane Regina Bortolozzo

      Figura 1. Detalhe do botão gotejador, do distribuidor e dos microtubos.

      Para evitar problemas com entupimento dos gotejadores e microgotejadores é necessário que sejam utilizados filtros, para a filtragem da água. No sistema semi-hidropônico os filtros mais utilizados são os de areia e os de disco. Os filtros de areia, normalmente, são utilizados para reter partículas com diâmetros maiores. Os filtros de disco retém, também, partículas com diâmetros menores e devem ser instalados entre a saída do reservatório de água e a entrada da água para as prateleiras, uma vez que poderão estar na água partículas de adubos que não foram dissolvidas. Também pode-se instalar um filtro de disco antes da entrada da água no reservatório. A instalação do mesmo antes da entrada também auxiliará na retenção de partículas de silte e argila que estarão em suspensão na água.

      Outros equipamentos necessários são: um conjunto moto-bomba, uma balança para pesar os nutrientes que comporão a solução nutritiva que será fornecida à cultura, reservatórios de água para preparar a solução nutritiva e para irrigar o sistema (ver Manejo da nutrição, Fig. 1a e 1b), um condutivímetro para medir a condutividade elétrica da solução e um peagâmetro para medir o pH da solução.

       

       

      Controle de doenças

       

      Bactérias

       

      No cultivo protegido de morangueiro a única doença de importância é a mancha angular bacteriana (Xanthomonas fragariae) que afeta as folhas das plantas, especialmente nas épocas de alta umidade. É pouco freqüente nas estufas altas e se estabelece somente quando utilizadas mudas infectadas. O seu controle deve ser feito com a eliminação das plantas e tecidos doentes e aplicação geral de fungicidas cúpricos em doses baixas (50 a 70 g 100 L-1).

       

      Fungos

       

      A maior parte das doenças do morangueiro, que ocorrem nas estufas, são causadas por fungos e o controle delas deve ser feito utilizando-se mudas sadias e monitorando-se a área de forma permanente para eliminar os primeiros focos.

      A murcha, o declínio, a podridão de raízes e a morte das plantas são causados pelos fungos Verticillium spp., Phythophtora spp., Fusarium spp., Pythium spp. e Rhizoctonia spp.

      Contudo, no morangueiro cutivado em sistema semi-hidropônico somente as espécies dos três últimos gêneros têm causado perda de plantas, principalmente logo após o plantio, no início do ciclo de produção e após a poda de folhas, feita no fim do verão.

      O controle dos patógenos é obtido com uso de mudas sadias e substrato isento de patógenos, com a eliminação das mudas doentes ou mortas e com a colonização do local de plantio com Trichoderma (5 g por cova). O tratamento de pasteurização do substrato pode ser feito com vapor de água da seguinte maneira: fazer leiras de, no máximo, 1 m de largura e 0,5 m de altura. Após umedecidas, deve-se cobrí-las com polietileno de 80 a 100 micras, transparente, e assim devem permanecer por, pelo menos dois meses, no verão. Outro método consiste em instalar canos perfurados no meio das leiras por onde circulará vapor, gerado por água aquecida em caldeira.

      Nos casos de infecção por Fusarium oxysporum, doença observada nas mudas importadas do Chile, as plantas em que se desenvolvem as estruturas do fungo murcham e apresentam podridão das raízes e das folhas basais. Isso permite a disseminação e o estabelecimento do patógeno na matéria orgânica do substrato, sua disseminação pelo ar e contaminação das plantas sadias da estufa.

      Nas manchas foliares, que ocorrem ocasionalmente nas estufas, destaca-se a infecção por Micospharella fragariae que causa manchas de cor púrpura, com margens indefinidas, que, após atingir tamanho maior, apresenta o centro de cor cinza. Para seu controle recomenda-se: utilizar cultivares resistentes, retirar as folhas com sintomas e aplicar fungicidas, se necessário (Quadro 1), no foco da doença. Quadro 1. Fungicidas utilizados para controle de doenças do morangueiro (2005-2006)*.

      Quadro 1. Inseticidas e acaricidas recomendados para o controle de pragas do morangueiro.

      Nome Técnico

      Marca Comercial / Formulação

      Dosagem/100 L (g; mL; L) ou por ha

      Intervalo de Segurança (dias)

      Classe Toxicológa

      Azostritrobin

      Amistar

      96-128 g/ha

      2

      IV

      Captana

      Orthocide 500

      240 g/600-800 L

      1

      III

      Difenoconazol

      Score*

      40 mL/100 L/ha

      5

      I

      Fluazinam

      Frowncide 500 SC

      100

      14

      II

      PCNB

      Kobutol 750

      12 k/fileira/ha-pré-plantio

      ND

      III

      Imibenconazole

      Manage 150

      75-100/800-1.500 L de água/ha

      14

      II

      Mancozeb

      ManzateGrDr

      2-4 kg/ha

      21

      III

      Mancozeb

      Manzate800

      2-4 kg/ha

      21

      III

      Tiofanato metílico

      Metiltiofan

      100 g/100 L

      14

      IV

      Iprodiona

      Rovral SC

      2-4 kg/ha

      3

      IV

      Bunema 330SC

      Isocianato de metila

      750 L/ha em pré-plantio

      3

      IV

      *Fonte: www.agricultura.gov.br/Agrofit. 14/03/2006.

      A antracnose, causada por Colletotrichum fragariae, afeta os pecíolos e folíolos; provoca o murchamento, a morte de folhas e raízes e a podridão de frutos. É localizada nas estufas e ocorre somente se as mudas utilizadas apresentem a colonização pelo patógeno. Seu controle é feito retirando-se as folhas ou plantas doentes, e, se necessário, aplicando fungicidas cúpricos ou outros recomendados (Quadro 3) no foco da doença.

      O oídio do morangueiro é uma das doenças mais graves nas estufas e seu agente causal é Sphaerotheca maculata f. sp. fragariae. A doença causa perda da área foliar, de flores e de fruta (Fig. 1 e 2).

      Foto: Rosa Maria Valdebenito Sanhueza

      Figura 1. Oídio em folhas de morangueiro.

      Foto: Rosa Maria Valdebenito Sanhueza

      Figura 2. Oídio em frutos de morangueiro.

      Os tecidos afetados apresentam um crescimento branco pulverulento e curvam-se na forma de colher e, a seguir, ocorre necrose e morte da área infectada. O patógeno causa a morte de flores e frutinhos e nos frutos maiores, paralisa o crescimento dos tecidos colonizados. Os sinais constatados são constituídos pelo crescimento de estruturas brancas sobre os morangos (Fig. 2). O patógeno inicia diretamente a infecção nos tecidos sadios e somente sobrevive nas folhas velhas e restos da cultura infectada. Os conídios são produzidos em grande quantidade e se disseminam pelo ar. Clima seco e temperaturas entre 15 a 30°C favorecem o alastramento da doença.

      O controle deve ser feito utilizando-se mudas sadias, monitorando-se a área, permanentemente, para eliminar os primeiros focos da doença e fazendo-se aplicações, nesse local, de calda sulfocálcica 32°Bé na concentração de 1 a 2%. O uso semanal de leite, na concentração de até 3%, favorece o desenvolvimento de antagonistas na cultura e pode ser feito, rotineiramente, a partir dos 60 dias de cultivo. A cultivar que tem mostrado maior suscetibilidade nas estufas da Serra Gaúcha, é a Aromas.

      O controle químico deve ser utilizado somente se as outras medidas, citadas acima, não apresentarem controle adequado, lembrando-se que a ocorrência de estirpes resistentes aos fungicidas de ação sistêmica ou mesmo sistêmica é freqüente nos ambientes controlados.

      A botritis ou mofo cinzento (Fig. 3 e 4) é a doença que causa mais perdas no morangueiro. É causada pelo fungo Botrytis cinerea que ataca folhas, flores e frutos e suas estruturas infectivas contaminam rapidamente o plantio.

      A infecção é mais grave quando: não são eliminados os tecidos danificados da cultura; sob condições de alta umidade e molhamento das plantas; temperaturas amenas e excesso de vigor. Para seu controle recomenda-se utilizar cultivares resistentes; retirar e destruir, semanalmente, as folhas, flores e frutos com sintomas; e, a partir do início da floração e até o final da colheita, proteger as plantas com pulverizações contendo o agente de controle biológico Gliocladium roseum (Sinn Clonostachys rosea), na concentração de 106 conídios por mL, desse fungo antagonista, ou com fungicidas, pulverizando, se necessário, no foco da doença. O tratamento com G. roseum é feito, semanalmente, em condições de pouca ocorrência da doença, ou a cada quatro dias, se esta já foi constatada. O produto está sob validação comercial e é produzido pela Embrapa Uva e Vinho.

      Foto: Rosa Maria Valdebenito Sanhueza

      Figura 3. Mofo cinzento (B. cinerea) em frutos de morangueiro.

       

      Foto: Rosa Maria Valdebenito Sanhueza

      Figura 4. Mofo cinzento (B. cinerea) em frutos de morangueiro.

       

      Nematóides

       

      Há três grupos de nematóides, citados em outros países, que podem atacar o morangueiro:

      Meloidogine hapla é conhecido mundialmente como causador de galhas. A. besseyi vive como ectoparasito das folhas que se acham em desenvolvimento no broto, proliferando em temperaturas elevadas. A espécie P. vulnus provoca a redução do sistema radicular e da parte aérea da planta, simulando sintomas de deficiência de minerais.

      Controle: Medidas preventivas: obter mudas sadias. Mudas suspeitas devem ser eliminadas (queimadas) a fim de evitar a contaminação de aéreas sem nematóides.

       

      Desordens Fisiológicas

       

       

       

       

      Controle de pragas

       

      Ácaros fitófagos

       

      Os ácaros fitófagos atacam principalmente as folhas do morangueiro, provocando mosqueamento ou clorose, bronzeamento, perda de vigor, redução na produção, desfolhamento, murchamento permanente, atrofiamento podendo causar a morte das plantas. As espécies mais importantes pertencem às famílias Tetranychidae e Tarsonemidae.

      A família Tetranychidade compreende as espécies mais importantes. O ácaro-rajado Tetranychus urticae Koch, 1836, é o mais comum, seguido de Tetranychus desertorum Banks, 1900 e Tetranychus ludeni Zacher, 1913, conhecidos comumente como ácaros vermelhos.

      Na família Tarsonemidade é encontrado o ácaro do enfezamento ou das gemas Phytonemus pallidus (Banks, 1899) e o ácaro branco dos ponteiros Polyphagotarsonemus latus (Banks, 1904).

      Da família Tenuipalpidae, foi encontrado em morangueiro o ácaro da leprose dos citros Brevipalpus phoenicis Geijskes, 1939.

      Dentre os principais fatores responsáveis pelo aumento populacional dos ácaros fitófagos em morangueiros, destacam-se:

      Uso de ácaros predadores no controle biológico

       

      Ácaros predadores das famílias Erythraeidae, Cunaxidae, Phytoseiidae e Stigmaeidae foram observados na cultura do morangueiro no Estado do Rio Grande do Sul. Os fitoseídeos são os ácaros mais comuns e os mais importantes no controle dos ácaros fitófagos sendo que onze espécies de Phytoseiidae foram relatadas associadas à cultura do morangueiro no RS com destaque para Neoseiulus californicus (McGregor, 1954) e Phytoseiulus macropilis (Banks, 1904).

      Neoseiulus californicus - Quando adulto, apresenta cor amarelo-palha e corpo alongado. Observado normalmente na face inferior dos folíolos sob a teia do ácaro rajado ou próximo da nervura principal. Exerce um controle efetivo sobre as populações do ácaro-rajado e do ácaro do enfezamento. Este predador é criado em estufas para realizar a liberação massal e controlar os ácaros-praga da cultura do morangueiro.

      Phytoseiulus macropilis - Quando adulto apresenta cor avermelhada e o corpo forma ovóide. Também é encontrado na face inferior dos folíolos do morangueiro sob a teia do ácaro rajado ou próximo da nervura principal. Pode ser visualizado sem o uso de lupa como um ponto vermelho de rápida movimentação. Quando tocado movimenta-se rapidamente. Ocorre naturalmente em plantações de morango sem o uso de agrotóxicos. Alguns agricultores conseguem controlar de forma satisfatória o ácaro rajado somente com o emprego deste predador, sem a necessidade de intervenção química. Devido a seu alto consumo de presas e desconhecimento de presas alternativas, é de difícil criação massal.

      Os dois gêneros são importantes agentes de controle biológico adquirindo a cor das presas nas quais se alimentam. Deslocam-se com muita rapidez em toda a superfície foliar e predam preferencialmente ácaros tetraniquídeos. Na falta desses passam a se alimentar de outros ácaros, ninfas de cochonilhas, fungos, grãos de pólen e de sucos celulares. Os fitoseídeos podem ser multiplicados, com facilidade, em ambientes controlados, com a finalidade de desenvolver o controle biológico nas lavouras.

       

      Criação de ácaros predadores

       

      Em geral os ácaros predadores ocorrem naturalmente em todos os ambientes, apenas precisam de alimento para se multiplicar. Portanto, é conveniente que antes do estabelecimento do morangueiro, seja semeada em uma estufa própria para isto, uma cultura que seja atacada pelo ácaro rajado para obter a multiplicação dos predadores nas imediações (Ex.: feijão). O predador será transferido para os morangueiros se for constatada infestação do ácaro rajado. Assim, é provável que o primeiro ataque cause dano a cultura mas, posteriormente observar-se-á o equilíbrio.

      A forma mais simples de multiplicar os ácaros predadores é através da criação do ácaro rajado sobre feijão da seguinte forma:

      Medidas auxiliares do controle biológico de ácaros do morangueiro

      Controle químico

       

      Ocorrendo ácaros fitófagos no período vegetativo e não sendo suficientes as medidas preventivas e biológicas de controle, podem ser usados acaricidas registrados para uso na cultura do morangueiro (Quadro 1). Quando a infestação ocorre no período de frutificação, observar a carência dos produtos. Procurar realizar o controle de forma localizada, nos focos de infestação, tratando toda a lavoura somente se necessário. Procurar rotacionar os acaricidas com diferentes modos de ação.

      Quadro 1. Inseticidas e acaricidas recomendados para o controle de pragas do morangueiro.

      Praga

      Ingrediente ativo

      Produto comercial

      Dose (g ou mL de produto

      comercial / 100L)

      Classe Toxicológica

      Carência (dias)

      Pulgões

       

       

       

       

       

      Captophorus

      fragaefolii

      Malatol

      Malathion 1000 CE Cheminova

      100

      II

      7

       

       

      Malathion 500 CE Cheminova

      200

      II

      7

       

       

      Malathion 500 CE Sultox

      200

      II

      7

      Cerosipha

      forbes

      Thiamethoxan

      Actara 250 WGR

      10

      III

      1

       

      Dimetoato

      Tiomet 400 CE

      3

      I

      3

      Ácaros

       

       

       

       

       

      Tetranychus

      urticae

       

      Tetranychus

      desertorum

       

      Tetranychus

      ludeni

       

      Tetranychus

      pallidus

       

      Brevipalpus

      phoenicis

      Fenpropatrin

      Dinimen 300 CE

      65

      I

      3

       

      Abamectin

      Acaristop

      40

      III

      11

       

       

      Vertimec 18 CE

      50-75

      III

      3

       

       

      Abamectin Nortox

      75

      III

      3

       

       

      Kraft

      25 a 30

      I

      3

       

       

      Potenza

      50 a 75

      I

      3

       

      Ciofentezina

      Acaristop

      40

      III

      11

       

      Propargite

      Omite 720 CE

      30

      II

      4

       

      Fenpiroximate

      Ortus 50 SC

      100

      II

      5

       

      Cihexatin

      Cihexatin 500

      50

      III

      14

       

      Fenpropatrina

      Meotrin

      65

      I

      3

       

       

      Sumirody 300

      54

      I

      3

      SR Sem restrições.

      Fonte: Agrofit, 2006.

      Insetos

      Broca-dos-Frutos - Lobiopa insularis (Castelnau, 1840) (Coleoptera: Nitidulidae)

      Os adultos da broca dos frutos são atraídos para o interior da lavoura devido ao odor (fermentação) dos frutos maduros com algum dano que muitas vezes são abandonados na estufa. Os besouros também podem espalhar fungos ampliando as perdas. Normalmente o ataque da broca dos frutos e maior no morango cultivado no solo. O inseto danifica além do morango, o tomate, pêssego, goiaba, maçã, laranja, melão e melancia.

      Controle: De forma preventiva, devem ser eliminados sempre que possível os frutos hospedeiros da broca localizados próximos à estufa. De forma geral, a eliminação dos frutos sobremaduros (refugados) dentro da área de cultivo reduz a infestação da praga.

      Besouros e Lagartas

      Besouros e lagartas de diferentes espécies e famílias podem cortar as plantas rente ao solo, tornando necessário o replantio ou ao se alimentarem das folhas, reduzirem a atividade fotossintética das plantas. No geral, dificilmente causam danos econômicos ao cultivo.

      Pulgões - Icapitophorus fragaerolli (Cockerell, 1901) e Cerosipha forbes (Weed, 1889)

      Além dos danos físicos e fisiológicos na planta, os pulgões podem ser vetores de vírus. Na cultura do morangueiro as espécies se localizam na face inferior das folhas mais novas podendo estar associados a formigas doceiras.

      Controle: A população de pulgões geralmente é mais elevada quando existe disponibilidade de nitrogênio livre nas plantas. Caso seja necessário o controle químico, empregar os produtos indicados no Quadro 2.

      Tripes Frankliniella occidentalis (Perg.)

      Os tripes são insetos minúsculos, cujos indivíduos adultos medem de 0,5 a 1,5 mm de comprimento. Possuem corpo alongado, asas franjadas e aparelho bucal picador sugador. Pertencem à ordem Thysanoptera que é subdividida em duas subordens: Tubulifera (abdome em forma de tubo, sem ovipositor externo) e Terebrantia (ovipositor externo = Terebra) Quase todos são fitófagos, sugadores de seiva, mas podem atuar como predadores, polinizadores, fungívoros (50%) e ectoparasitos.

      A reprodução ocorre de forma sexuada, sendo que em muitas espécies as fêmeas são mais numerosas que os machos podendo ocorrer reprodução partenogenética. Os machos são, via de regra, menores do que as fêmeas. A postura dos tripes fitófagos é endofítica. Dos ovos eclodem larvas (dois ínstares ativos), que se transformam em dois (Terebrantia) ou três (Tubulifera) ínstares pupais relativamente inativos, de onde emergirão os adultos (remetabolia).

      Os tripes atacam sempre as partes aéreas das plantas (folhas, flores, frutos, órgãos internos). São sugadores de seiva, como conseqüência as folhas perdem a coloração e surgem pontos escuros nos locais das picadas. Os adultos fazem as posturas dentro dos tecidos vegetais (Terebrantia) e nas axilas e/ou sobre as folhas (Tubulifera), frutos e preferencialmente nas flores. Ataques intensos causam inicialmente lesões de brilho prateado, posteriormente as folhas secam e caem. Nas flores, afetam os órgãos reprodutivos, embora às vezes possam auxiliar na polinização. Podem provocar a queda dos frutos recém-formados ou causar manchas e cicatrizes (dano qualitativo) nos frutos em desenvolvimento.

      A espécie de tripes mais comum associada à cultura do morangueiro na Região da Serra Gaúcha é a Frankliniella occidentalis. O monitoramento da espécie deve ser realizado avaliando-se as flores. Não existe nível de controle estabelecido para a cultura.

      Controle: Eliminação das plantas hospedeiras próximas da estufa; colocação de armadilhas adesivas de cor azul entre as plantas. Não existem inseticidas registrados para o controle de tripes na cultura do morangueiro.

       

      Outras Pragas

       

      Lesmas e Caracóis

      As lesmas (Vaginula sp) e os caracóis da espécie Helix aspersa (Muller, 1774), Strophocheilus oblongus Noricand, Bradybaena similaris (Fer., 1921), entre outras, podem constituir um problema sério em situações de alta umidade podendo danificar as plantas e também os frutos, depreciando-os comercialmente. Estes moluscos alimentam-se geralmente à noite.

      Controle: Os moluscos, principalmente as lesmas, são ávidos por farelo e sensíveis ao Metaldeído. No comércio encontram-se iscas granuladas atrativas à base de Metaldeído que são eficientes no controle de lesmas e caracóis, devendo-se, ao aplicar, evitar o contato direto desse produto com a planta.

      Também é recomendado distribuir, nas bordas do canteiro, uma faixa de 15 cm de largura com pó de cal ou cinza, que se adere ao corpo dos moluscos imobilizando-os e evitando que consigam se alimentar das plantas.

       

       

      Referências

       

      FADINI, M. A. M.; ALVARENGA, D. A. Pragas do morangueiro. Informe Agropecuário, Belo Horizonte, v. 20, n. 198, p. 75-79, 1999.

      FORTES, J. F.; OSÓRIO, V. A. (Ed.) Morango: fitossanidade. Brasília, DF: Embrapa Informação Tecnológica, 2003. 36 p. (Frutas do Brasil, 41).

      MOLINARI, P.; VINANTE, P. La coltivazione della fragola e dei piccoli frutti in Trentino - manuale pratico. ESAT Notizie, n. 12, 112 p., 2001. Suplemento.

      REBELO, J. A.; BALARDIN, R. S. A cultura do morangueiro. 2. ed. Florianópolis: Epagri, 1993. 40 p. (Epagri. Boletim Técnico, 46).

      RESH, H. M. Cultivos hidropônicos: nuevas técnicas de producción. 3. ed. Version espanhola. Trad. Carmem Jaren Ceballos e Eva Garcia Pardo. Madri: Mundi-Prensa, 1992. 369 p.

      SANTOS, A. M. dos. A cultura do morango. Pelotas: EMBRAPA-CPACT; Brasília, DF: EMBRAPA-SPI, 1993. 35 p. (EMBRAPA-CPACT. Coleção Plantar, 7).

       

       

       

  • Foto: Adriane Regina Bortolozzo.

    Foto: Adriane Regina Bortolozzo.

    Foto: Adriane Regina Bortolozzo.

     

     

     

    O sistema semi-hidropônico utiliza prateleiras em diferentes níveis em altura (seis, cinco, três e dois níveis - também são usados) (Fig. 1) até bancadas com um nível e altura de 1 m do solo. Fig. 1. Instalação do cultivo semi-hidropônico em prateleiras com dois níveis.

    Foto: Adriane Regina Bortolozzo

    Figura 1. Instalação do cultivo semi-hidropônico em prateleiras com dois níveis.

    Foto: Adriane Regina Bortolozzo

    Figura 2. Cultivo semi-hidropônico em bancadas de um nível com o sistema de irrigação.

     

    No sistema semi-hidropônico as bancadas em um nível (Fig. 2) são construídas sobre palanques de sustentação, a 1 m de altura acima do solo, espaçados entre si em 3 m (vão de 3 m). Sobre estes palanques são fixadas travessas e ripas, que sustentarão as embalagens com os substratos e o sistema de irrigação. Fig. 2. Cultivo semi-hidropônico em bancadas de um nível com o sistema de irrigação.

    Entre as bancadas deve haver um espaço que permita que sejam feitos manejos, tratos culturais e a colheita das frutas, devendo estar distanciadas entre si pelo menos em 0,8 m. Também deve-se deixar um espaço de 1 m, para circulação, no início e no final da estufa.

    O sistema de bancada oferece uma distribuição de energia solar mais uniforme às plantas, o que pode levar os frutos a terem excelente sabor quando maduros.

     

     

    Construção de estufas

     

    Os ambientes protegidos são aqueles que propiciam um microclima adequado ou próximo ao ideal para o desenvolvimento das culturas. As estufas podem ser pequenas, cobrindo somente uma bancada, ou podem ser grandes e cobrir várias bancadas.

    No cultivo do morangueiro, os modelos de ambientes protegidos mais utilizados são: túneis baixos, túneis médios e túneis altos. Estes ambientes são conhecidos, também, como estufas.

    As armações das estufas podem ser construídas em vários formatos e com vários materiais: em madeira (Fig. 1), em cloreto de polivinil flexível (PVC) e mistas (com madeira e PVC; ou com madeira e aço galvanizado). Essas armações são cobertas com plástico, destinado a esse fim, colocados nas partes de cima, na frente, atrás, e nas laterais da estufa (Fig. 2).

     

    Foto: Adriane Regina Bortolozzo

    Figura 1. Estufa construída em madeira.

    Foto: Adriane Regina Bortolozzo

    Figura 2. Estufa sendo coberta.

     

    Os plásticos das laterais (cortinas) podem ser erguidos dependendo das condições climáticas como chuva, frio, ventos, etc. Isso possibilita que temperaturas elevadas sejam amenizadas, ao erguê-los, em dias muito quentes, ou, então, manter ou impedir que as mesmas baixem muito, em dias mais frios. Nas laterais das estufas, são colocadas telas de nylon com, pelo menos, 0,5 m de altura. A tela tem o objetivo de proteger a estufa contra a entrada de animais, como roedores e gambás, que são bastante atraídos pelos frutos.

     

    Orientação das Estufas

     

    Para tirar mais vantagem da radiação solar constrói-se a estufa com o eixo maior na direção (orientação) leste-oeste. Isso faz com que haja uma redução no sombreamento das vigas da estrutura e as mesmas se tornam mais eficientes na transmissão da radiação solar.

    A estufa deverá ser construída no sentido da direção dos ventos predominantes e não na direção perpendicular ao mesmo. Se esta orientação não coincidir com o eixo maior na posição leste-oeste (L-O), deve-se montar as bancadas, dentro da estufa, no sentido L-O.

    As formas de cultivar os morangueiros dentro das estufas são variadas. Nesta publicação, destaca-se o cultivo que se convencionou chamar de semi-hidropônico. Para esse cultivo têm sido utilizadas as estufas modelo túnel alto, em forma de arco, construídas com, no máximo, 30 m de comprimento e pé-direito não menor que 3 m de altura. Esse formato de arco faz com que as estufas apresentem maior resistência a ventos e intempéries.

     

    Características do Sistema Semi-Hidropônico

     

    O sistema semi-hidropônico é bastante utilizado na Europa, onde é preferido por possibilitar a melhor utilização do espaço na pequena propriedade. No Brasil, porém, é necessário definir alguns componentes tecnológicos para otimizar o retorno ao produtor e à sociedade. Entretanto, já apresenta vantagens claras frente ao sistema convencional, tais como:

     

     

     

    Preparo, plantio e manejo das mudas

    Preparo das Mudas

     

    O preparo das mudas é feito em relação às folhas e às raízes.

    Ao receber as mudas do viveiro, deve-se retirar as folhas cortando-as na haste, deixando estas hastes com 3 cm de comprimento. As raízes também deverão ser cortadas, deixando-as com um comprimento de 4 cm (Fig. 1).

    Plantio das Mudas

     

    O plantio das mudas deverá ser feito nas embalagens com o substrato previamente saturado. Após a saturação das embalagens são feitos orifícios, nos quatro cantos da embalagem, onde serão inseridas as mudas, devidamente preparadas. O espaçamento entre as plantas é de 0,20 m (Fig. 1). É importante observar que as raízes não fiquem dobradas, ao serem plantadas na embalagem, pois, isso ocorrendo, poderá comprometer o crescimento da planta.

    Foto: Adriane Regina Bortolozzo

    Figura 1. Mudas preparadas para o plantio.

    Somente após o plantio é que deverão ser feitos os furos, embaixo das embalagens, para a drenagem da água que ficará retida no fundo.

     

    Manejo das Mudas

     

    Aos 15 dias após o plantio, são observadas as primeiras flores. Porém, para que as plantas cresçam e se desenvolvam bem, é necessário um desbaste contínuo destas flores até que elas apresentem cinco folhas. À medida que as plantas forem crescendo há necessidade de serem feitas limpezas periódicas destas, retirando-se as folhas que envelhecem ou que, porventura, possam apresentar alguma doença.

    Todo material que for retirado deve ser acondicionado em sacos plásticos, que se destinam a esse fim. À medida que estes ficam cheios devem ser retirados do local e colocados em covas que deverão ser cobertas por plástico incolor. A embalagem deverá ser manuseada com cuidado, para não disseminar doenças que possam estar no seu interior, e enviada para reciclagem.

     

     

    Substratos

     

    O substrato serve como suporte onde as plantas fixarão suas raízes; o mesmo retém o líquido que disponibilizará os nutrientes às plantas.

    Um substrato, para ser considerado ideal deve apresentar características como:

    Existem vários tipos de compostos que podem ser utilizados para a formulação de substratos para o cultivo semi-hidropônico. Dentre eles pode-se destacar:

    Uns são materiais orgânicos (casca de arroz, turfa e húmus) e outros, minerais (vermiculita e perlita).

     

    Casca de Arroz Carbonizada

     

    A casca de arroz carbonizada (Fig. 1) tem sido mais utilizada como substrato, pois é estável física e quimicamente sendo, assim, mais resistente à decomposição. Isso também tem a vantagem de o substrato poder ser usado num segundo ano de produção. Porém, apresenta alta porosidade, que pode ser equilibrada com a mistura de outros elementos (turfa, húmus, vermiculita, etc.).

    Foto: Adriane Regina Bortolozzo

    Figura 1. Casca de arroz carbonizada.

    Turfa

     

    A turfa é um material de origem vegetal. Pesa pouco e tem elevada capacidade de retenção de água. Para ser usada como mistura em substratos deve ser picada. Possui elevada capacidade de troca catiônica (CTC), e valores de pH que variam de 3,5 a 8,5.

     

    Vermiculita

     

    A vermiculita é um mineral com a estrutura da mica que é expandida em fornos de alta temperatura. É utilizada devido à sua alta retenção de água, elevada porosidade, baixa densidade, alta CTC, e pH em torno de 8,0.

     

    Perlita

     

    A perlita é obtida do tratamento térmico que se aplica à rocha de origem vulcânica (grupo das riolitas). Sua porosidade é alta e retém água em até cinco vezes o valor do seu peso; seu pH fica entre 7,0 e 7,5. Pode ser misturada a outros elementos como a turfa e a casca de arroz carbonizada. Sendo um material obtido de lavas vulcânicas, o mesmo não é produzido no Brasil. Isso faz com que se opte por compostos encontrados com facilidade no mercado interno.

    Diferentes compostos e composições têm sido motivo de pesquisa. O que se busca é a adequação de um substrato ideal; ou seja, que apresente as características recomendadas no início deste tópico.

     

    Acondicionamento do Substrato

     

    O substrato deverá ser acondicionado em embalagens de filme tubular, preferencialmente branco, disponível no mercado com 0,3 m de largura x 500 m de comprimento. Embalagens claras ajudam a evitar o aquecimento da água e, conseqüentemente, do substrato em seu interior, evitando que as raízes sofram algum dano devido à elevação da temperatura em dias quentes.

    As embalagens para o acondicionamento do substrato podem variar quanto ao tamanho e, conseqüentemente, quanto ao número de plantas que o mesmo suportará. Os tamanhos mais utilizados são de 0,3 x 1 m de comprimento e 0,3 x 0,35 m, para comportar oito e quatro plantas, respectivamente.

    As embalagens do sistema de irrigação por microgotejamento, após ser colocado o substrato, possuem as seguintes dimensões: 0,3 x 0,35 x 0,10 m. O volume de substrato que cada embalagem acondiciona é de, aproximadamente, 8 L (ou 0,008 m³). Nessas embalagens pode-se plantar quatro mudas de morangueiro (Fig. 2). O espaçamento entre as embalagens, quando dispostas sobre a bancada, deverá ser de 0,2 m. A drenagem das embalagens ocorre na parte inferior da mesma, onde são feitos furos para drenagem. O uso de embalagens menores apresenta vantagens sobre os outros sistemas de cultivo. Caso ocorra alguma doença poucas plantas serão contaminadas e perdidas, e pouco substrato será descartado.

    Foto: Adriane Regina Bortolozzo

    Figura 2. Embalagem com 8L de substrato, para quatro plantas.

     

     

     

     

     

     

 

 

 

 

3 comentários:

  1. Olá,gostaria de saber mais sobre a produção de morangos suspensos,vc teria como me dar mais informações a respeito,eu poderia misturar serragem com terra preta(humus) para fazer substrato,e seria preciso colocar calcário?? me mande fotos se possivel meu email é sadaovip@hotmail.com

    Boa noite

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